Orestes Barrozo Medeiros Pullin

Presidente da Federação Paraná ¿ 2006-2010


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História de Vida - Orestes Barrozo Medeiros Pullin



P1 – E como que o senhor acha que é compatibilizar a carreira de médico com as atividades executivas que hoje o senhor tem na Unimed?
 

R – A minha carreira na Unimed eu divido em duas fases. Uma fase enquanto eu estava em Londrina (PR), a outra quando fui para a Federação. Enquanto estava em Londrina (PR), eu tinha o meu consultório perto da Unimed. Então você vai à Unimed, mas você está indo para o seu consultório, você está indo para o teu hospital, você está dando um plantão à noite, acordando do plantão e indo para a Unimed. É assim que se faz nas cidades onde o dirigente está junto da sua Cooperativa, uma cooperativa de primeiro grau. Quando você vai para uma cooperativa de segundo grau ou terceiro grau, o que acontece? Você se desloca do teu local. Saí de Londrina (PR) e fui para Curitiba (PR), que fica a 400 quilômetros. Num primeiro momento como diretor e com algumas tarefas, ia alguns dias por semana à Curitiba (PR), voltava para minha cidade e naqueles dias que eu estava em Londrina (PR), eu conseguia ter uma atividade, que chamo atividade clínica e tinha uma atividade executiva no outro período. No momento em que você passa a assumir compromissos maiores, a atividade clínica praticamente desaparece, por que? Os clientes não ficam esperando a tua boa vontade, as tuas responsabilidades, eu não vou operar um paciente, largar esse paciente e me deslocar 400 quilômetros para outro local, deixando por conta de outro colega, às vezes bem cuidado, mas a família não aceita isso. Então você passa a não ter essa oportunidade de trabalhar quando você está numa cooperativa de segundo ou terceiro grau, na tua área clínica. E eu criei um modo de responder, porque a pessoa fala assim: “Mas, você largou de ser médico?” “Eu não larguei de ser médico, eu mudei de especialidade.” Porque para administrar cooperativa médica, só sendo médico. Ninguém que não é médico vai administrar tão bem as nossas cooperativas. Se nós passarmos isso para os profissionais não médicos, eles não vão entender a miudeza da coisa e eu acho que o Sistema Unimed hoje é grande, nós somos o que somos, exatamente porque nós sabemos administrar. Uns talvez tenham um pouquinho mais de feeling para isso, outros menos, mas são médicos que estão administrando. Eu faço medicina hoje, só que estou fazendo outra especialidade.
 

P1 – Dentro desse tempo na Unimed, o senhor tem algum colega especial, os amigos do trabalho que o senhor gostaria de mencionar?
 

R – Olha,  tenho inúmeros amigos, e posso falar o seguinte, eu não conheço inimigo, pode ser que tenha alguém que não goste de mim, mas eu não conheço. Eu tenho grandes pessoas, que é o caso desse colega que falei que é o Weber. O Weber para mim, nessa primeira fase, foi uma pessoa que me marcou muito e que me colocou dentro do Sistema. Depois  tive outro colega que convivi junto com ele, desde a primeira fase, depois ele se tornou presidente e eu fui seu superintendente e que hoje está aqui na Seguradora, que é o Amauri Rafaeli, um grande amigo, meu irmão, o considero um irmão meu, até pelo tempo que nós convivemos juntos. Depois tem a fase que fui para Federação e nessa fase, posso com grande acerto dizer, o meu grande mestre foi o Palmquist, ele foi o presidente, eu fui seu diretor durante esses oito anos. O substitui num processo tranqüilo dentro da Federação, o Palmquist veio para Unimed do Brasil e eu assumi. Tenho grandes companheiros, eu tive em Londrina (PR), inúmeros colegas que me marcaram muito, tem o Amauri, tem o Cury, tem o próprio Issao, que foram colegas nossos da Diretoria. Na Federação o Nelson, vice-presidente, que foi um grande pai para mim. Eu tive um colega, na Unimed de Londrina também que me marcou muito, nós começamos juntos, mas ele teve um problema e faleceu, o Cristiano, uma pessoa que também me ajudou muito. São vários amigos que passaram, que tenho o maior orgulho de ter trabalhado com essas pessoas.
 

P1 – Na sua região na Federação, qual é o número de singulares atuais, quais as mais importantes?
 

R – Nós somos hoje na Federação do Paraná, 22 cooperativas singulares. Tem desde a maior cooperativa que é a Unimed de Curitiba até a menor cooperativa que é a Unimed Vale do Piqueri, na cidade de Palotina (PR). Nós temos lá na região duas cooperativas que não são operadoras de plano de saúde, são prestadoras que também são pequenas, ou seja, temos uma variedade de unidades, cada uma com a sua característica dentro do conjunto de cooperativas do Paraná.

 

P2 – Quando começou a Federação?
 

R – A Federação no Paraná foi fundada em 18 de agosto de 1979,  criada por quatro cooperativas na ocasião, a Unimed de Londrina, que já falei, a quinta cooperativa do Brasil a ser criada, a Unimed de Curitiba, a Unimed de Ponta Grossa e a Unimed de Guarapuava. Foram essas quatro Singulares que criaram a Federação das Unimeds do Estado.
 

P1 – Existe alguma peculiaridade que a torne distinta? Algum diferencial entre o Paraná e outras regiões?
 

R – Tem, veja bem, do ponto de vista do nosso Estado, tivemos um facilitador, vou chamar assim. No Estado do Paraná, a partir de 1990, nós começamos a trabalhar num software que fosse implantado em todas as cooperativas do Estado e a partir daí, aconteceu que nós, além de criarmos esse software, conseguimos fazer uma rede de comunicação, já um pouco para frente, na ocasião não tinha tecnologia, mas logo para frente criamos uma rede. Isso criou um diferencial no Estado do Paraná em relação aos outros estados porque nos facilitou obter dados de todas as cooperativas, nos facilitou a ter padrões, facilitou o processo de intercâmbio entre essas cooperativas. Enquanto hoje nós estamos buscando fazer um intercâmbio nacional de forma eletrônica, nós já fazíamos isso desde o final da década de 90, final não, desde 95, nós já estávamos integrados no Estado inteiro fazendo troca eletrônica. Eu acho que esse foi o grande diferencial do Estado do Paraná. Isso nos permitiu sair na frente em algumas idéias que hoje estão sendo consolidadas em nível nacional. É um datacenter centralizado, onde hoje, no Estado do Paraná eu tenho um banco de dados com informações de todas as singulares, todas entram lá para buscar suas informações, fazer de forma organizada e isso está sendo tentado em outros Estados, até porque viram que dá certo. Acho que isso foi o grande diferencial nosso, foi a área de tecnologia ter conseguido se integrar, uniformizar no Estado inteiro, acho que isso criou uma vantagem para nós, não que sejamos melhores que os outros, mas criou uma possibilidade de que tivéssemos ferramentas mais evoluídas.