Raimundo Vianna de Macedo

Presidente da Unimed Santos ¿ 2006-2010


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História de Vida - Raimundo Vianna Macedo



P/1 – Como o senhor poderia situar a Unimed aqui na Baixada Santista? Como ela está hoje?

R – Nós na Baixada Santista, somos líderes de mercado. Já ganhamos o Top of Mind, e acho que pelo terceiro ano consecutivo. A Unimed desde a sua fundação vem mantendo essa liderança exatamente por isso. Qual é o foco da Unimed? É plano de saúde, cuidar da saúde das pessoas, é o nosso negócio e do nosso negócio nós mesmos cuidamos. E isso nos dá muito orgulho. Quem dirige a Unimed? Nós temos nossos técnicos. Agora, com os trabalhos que a Fundação Unimed veio fazer, reconheço, que muito nos ajudou. Ela veio para profissionalizar a empresa do ponto de vista contábil, marketing. Os caminhos, o norte da cooperativa quem dá somos nós, os médicos. Nós somos os donos do negócio e assim será. Talvez seja por isso que nos dá muito orgulho. E tem uma coisa, por exemplo, Santos é uma cidade muito boa, gostosa, sou cearense de nascimento, mas me considero santista de coração. Sou casado com uma moça daqui de Santos, de família portuguesa. E sabe, a colônia portuguesa aqui é muito grande. Minhas filhas estudam aqui. E isso é importante. Sempre que vou a algum lugar em uma festa, alguém sempre me pergunta alguma coisa de Unimed. Quando saio, de manhã, tem uma academia de ginástica perto de casa, e as pessoas: "Doutor, eu estou pensando em mudar de plano? " E nós orientamos, o cliente vem falar diretamente conosco, e sabe que a Unimed é assim. E os concorrentes eu sei que não são assim, não têm essa abertura. E isso também nos dá mais responsabilidade. Essa credibilidade, esse é o nosso foco, a alma do nosso negócio, no Brasil inteiro, atender bem o cliente. Quer dizer, a Unimed está presente no Brasil inteiro. Você sai daqui e pode ser atendida, vamos supor, em Porto Alegre, no Recife, sei lá, Brasília,. Em emergência é só pegar a sua carteirinha e apresentar. Você quebrou o dedinho, vai lá, e será atendido você não terá que pagar nada. A conta depois é enviada para cá, temos o intercâmbio, no final do mês é feita essa conta. Os outros planos não tem isso, eles lutam, nunca vão ter essa qualidade, que é do médico. Como tem médico em todos os municípios do Brasil, juntando 20 já formam uma Unimed. Uma vez estava em São Paulo, só não vou dizer qual era, não seria muito ético, mas estava havendo um evento e entrei errado em uma sala. E era de uma seguradora ligada à saúde. E escutei o cidadão falando. E eles estavam dizendo: "Esse negócio de Unimed parece uma praga, eles estão em todo lugar." Nós realmente somos diferentes. Essa é a vantagem da Unimed, do Sistema Unimed, isso eu me orgulho, nós somos imbatíveis. Agora temos que lutar, a Unimed do Brasil faz um trabalho espetacular. Mas, temos que manter essa chama, e manter isso que nós somos os melhores. Nós prestamos a melhor assistência médica do país. E nós somos por quê? Nossa formação é de médicos. Volto ao passado, nós tivemos uma formação humanitária na escola, de aprender a tratar as pessoas com respeito, com carinho, como ser humano. Evidente, entra naquilo, saúde não tem preço, mas tem custo. Isso é uma coisa que nós procuramos administrar. É difícil não atendermos um cliente nosso Unimed. Enquanto as outras empresas não atendem, nós atendemos. Qualquer pessoa pode nos procurar, a pessoa às vezes, vou dar um exemplo. Ontem eu estava na minha casa e me ligou uma senhora que alguém passou o meu nome, não vou dizer o nome por questão de ética, ela estava com a mãe internada em determinado hospital. Estava internada em enfermaria e estava muito mal. Ela queria ver se poderia passar para o apartamento porque estava difícil. Eu digo: "Olha, estou em casa, não posso lhe dar essa resposta agora, mas você vá, seria hoje, na segunda-feira, nove horas da manhã e nós vamos ver se é possível. Sendo empresa, talvez possamos fazer isso por um custo operacional. Mas, assumir agora no meio do contrato não podemos. Mas a Unimed Santos pode assumir o atendimento da sua mãe em apartamento. E quando a conta vier, deve demorar uns 45 dias, a sua empresa será chamada à Unimed e nós veremos como é que você, ou a sua empresa, poderão pagar isso para a Unimed. Isso pode ser parcelado e será pago juntamente com o boleto da empresa. E pena que agora, quando saía de casa, nove horas, a senhora me ligou: "Doutor, eu quero agradecer ao senhor e à Unimed de Santos pela boa vontade, mas, infelizmente, a minha mãe faleceu." Mas, nós íamos fazer alguma coisa. Eu contei isso, pelo fato de ser médico, ter esse sentimento e assim deveriam ser todos os planos. Mas, o Sistema Unimed não está só vislumbrando lucro, é diferente. A Cooperativa deve dar trabalho para o médico. Não queremos ficar milionários, publicar balanços. Nós sabemos as limitações do nosso povo, inclusive financeiramente. Sabemos também das limitações das empresas. E temos esse sentimento de não explorar, não temos ganância. Nós queremos que a empresa seja sadia, viva. E o médico prestar um bom atendimento. É isso. É diferente de uma empresa de saúde X. Ela entrou no mercado para ganhar dinheiro. Os donos nunca passaram nem na calçada de uma faculdade de medicina. Eles são capitalistas, as leis do país permitem, isso é uma outra história. E o foco deles é ganhar dinheiro, certo? É diferente, um pouco, das cooperativas médicas. Cooperativa, é o seguinte: nós arrecadamos tudo que as empresas e as pessoas nos pagam, as pessoas físicas. Pegamos esse dinheiro, colocamos em um único lugar, pagamos todos os nossos prestadores, os hospitais, funcionários, tudo direitinho. Pagamos todas as obrigações tributárias. E o que sobra é rateado entre os médicos. Proporcional à produção. Se eu fiz 100 consultas no mês eu vou receber 100 consultas. Se você fez 180, você vai receber 180. Por isso que este valor pode variar de mês a mês. A nossa moeda chama-se UTV, Unidade de Trabalho Variável. Exatamente, porque a cooperativa tem duas coisas: pode dar sobras ou perdas. Nesse balanço mensal que se faz de pagar os hospitais, pagar os funcionários, pagar os tributos, alguém poderia dizer: "Mas tem mês que pode faltar." Pode, já aconteceu, faltou, inclusive aqui, temos perdas. Quando se tem perdas, suponhamos, em uma casa quando tem perdas no fim do mês, o orçamento não deu. Tem que ratear. Então é isso aí.

P/1 – Me diz uma coisa, doutor, e os projetos de responsabilidade social aqui na Baixada? Quais são?

R – Nós hoje, seguindo a orientação da Unimed do Brasil e da Fundação, e como sou um adepto da questão da responsabilidade social, e sempre pensei nisso, independente da Unimed. Eu sempre falei assim: "Puxa, o que é que adianta você morar em uma rua, em uma mansão com dois quarteirões, a sua casa ocupa um quarteirão inteiro, se o seu filho não pode sair na calçada que podem tomar o tênis dele?" E você não pode ser feliz desse jeito. Eu penso, se você não pode ser feliz em um país que tenha isso, essa desigualdade social tamanha, e entra também na questão da cooperativa, entra na questão do médico e entra também na questão de ser solidário. Todo mundo tem que ser solidário, mas o médico, pela nossa formação, tem que ser mais.