Raimundo Vianna de Macedo

Presidente da Unimed Santos ¿ 2006-2010


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História de Vida - Raimundo Vianna Macedo



P/1 – Me diz uma coisa, doutor, e os projetos de responsabilidade social aqui na Baixada? Quais são?

R – Nós hoje, seguindo a orientação da Unimed do Brasil e da Fundação, e como sou um adepto da questão da responsabilidade social, e sempre pensei nisso, independente da Unimed. Eu sempre falei assim: "Puxa, o que é que adianta você morar em uma rua, em uma mansão com dois quarteirões, a sua casa ocupa um quarteirão inteiro, se o seu filho não pode sair na calçada que podem tomar o tênis dele?" E você não pode ser feliz desse jeito. Eu penso, se você não pode ser feliz em um país que tenha isso, essa desigualdade social tamanha, e entra também na questão da cooperativa, entra na questão do médico e entra também na questão de ser solidário. Todo mundo tem que ser solidário, mas o médico, pela nossa formação, tem que ser mais.

P/1 – E aqui na Unimed vocês têm algum projeto de responsabilidade social?

R – Nós temos um projeto, chama-se Projeto Imuni, que é Iniciação ao Mundo da Informática. Nós formamos até o ano passado 700 crianças no curso de informática. Temos colégios que têm médicos, e pediatras custeados pela Unimed. Nós temos um trabalho que fazemos em Santos, no Centro de Lactação, que é reconhecido pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial de Saúde. A doutora Keiko Miyasaki Teruya, que é uma médica pediatra da cidade, muito conhecida, nós patrocinamos, temos um trabalho em conjunto com o Centro de Lactação. E patrocinamos algumas coisas quando somos solicitados. Agora, nós estamos incentivando outras ações, a Federação está partindo para o incentivo das ações. E até a ANS [Agência Nacional de Saúde], está com outro foco em relação aos planos de saúde. Além do plano de saúde ter a saúde tem que ter a saúde financeira, para bancar o plano e, agora estão fazendo uma série de exigências que acho corretas, inclusive medicina preventiva. Hoje estão dando mais valor à medicina preventiva do que à parte financeira da empresa. Quem tiver uma medicina preventiva perfeita vai ter um item muito maior, que ela dará um valor. E outro item que vão dar muito valor é a questão da saúde social. A empresa que tiver isso, ela verá com outros olhos, e nós estamos trabalhando em cima disso. Nós, por exemplo, na semana passada em Ribeirão Preto, oficializamos a criação em Santos, não tínhamos ainda, a Mulher Unimediana. Vamos envolver as mulheres dos cooperados, as médicas e as funcionárias da Unimed. Com isso temos a possibilidade de desenvolver melhor a questão da responsabilidade social. Sabemos que a mulher tem até mais um papel nisso. Aqui por exemplo, nós temos em frente da Unimed, o Lar das Moças Cegas, elas fazem um trabalho, me parece que atendem 600 pessoas. Inclusive, o foco também dessa criação da Mulher Unimediana vai ser exatamente trabalhar junto ao Lar das Moças Cegas, para incentivar. Mas poderemos desenvolver outras ações, junto a essas casas que abrigam pessoas de idade, certo?

P/2 – Quantos usuários têm a Unimed Santos?

R – Hoje nós temos entre 120 a 122 mil. Isso está sendo variável. Está sempre um entra e sai, mas é por aí.

P/2 – E cooperados?

R – Cooperados, hoje, nós devemos estar em 1786 médicos.

P/2 – E os médicos que se formam eles procuram bastante a Unimed atualmente?

R – Ah, sim, temos duas faculdades de Medicina. É por incrível que pareça, um monte desses médicos não fica na cidade. Tanto é que aqui tem um hospital que outro dia anunciou no jornal, em São Paulo, pedindo médicos para quem se interessasse vir trabalhar no plantão. O que prova, que muitos desses estudantes que fazem faculdade não ficam na cidade. Quem fica aqui são os que já moram aqui, no caso, as famílias moram. Mas, desses que ficam, com certeza, temos colegas nossos da Unimed, com cinco filhos médicos, e os cinco estão na Unimed, pedem ingresso. Evidente, que terão que cumprir as regras, não é só porque é filho de médico. Mas terá que ter a pontuação, fazemos essa pontuação para o médico em geral. Não é por que o pai médico irá facilitar, talvez o pai passe a clientela para ele, quando ficar com mais idade. Mas, a minha filha já disse que não quer fazer Cirurgia Pediátrica, quer fazer Oftalmologia. Ela vai ter que se desenvolver com as perninhas dela. E se ela pedir ingresso na Unimed vai passar normalmente naquele processo. E vai ter que fazer a pontuação, depois a Diretoria, o processo é igual.

P/1 – O senhor falou da ANS, aqui, na Baixada Santista, a Unimed Santos sofreu com a entrada da ANS?

R – Não, o que houve, eu não digo assim sofreu, no começo, até falei, hoje nós vamos fazer a prestação de contas, e estou citando que na nossa gestão realizamos uma aproximação com a ANS. Por que eu estou dizendo isso? Ninguém pode desconhecer o papel regulador da Agência. Ela veio para ficar. Eu até diria que aqueles planos de saúde que acharam que isso não era verdadeiro vão ficar em maus lençóis. Quando eu assumi, a Agência [ANS[, esteve em Santos, uns 15 dias, vieram cinco auditores fiscais. Ficaram, fizeram o levantamento e depois fui chamado no Rio de Janeiro. Estive lá uma vez, na segunda vez fui com o nosso presidente, o Doutor Celso Barros da Unimed do Brasil para explicar. E de lá para cá, temos tido um relacionamento melhor com a ANS. Eles sentiram que temos seriedade, e temos vontade de acertar. São coisas tributárias. A Agência exige que façamos provisões, para pagar imposto, provisões, para guardar o dinheiro. E nós dentro do possível, estamos fazendo isso. Eu, pessoalmente, acho que era necessário a Agência. Imagina o tanto de plano de saúde que tinha no Brasil? Eu acho que ia ser um negócio, a população, iria ficar meio complicada. Era um negócio sem controle. O SUS não está mais podendo, não dá para atender a população inteira. Foi criada, e foi permitida a assistência suplementar, está na Constituição Federal. Nesse evento em Ribeirão foi comentado, alguém fez uma pergunta sobre saúde suplementar, e a Doutora Carla, que é da Agência, passou claramente o nome do parágrafo da lei que diz que a assistência suplementar poderá atuar no país. É legalizado. E depois da criação da Agência eu acho que tinha que ser isso mesmo e tem uma coisa boa, é normal, eles estão se organizando. Teve um concurso há pouco tempo, que entraram 600 técnico em, concurso público. Eu digo isso porque trabalhei no serviço público durante 34 anos. Fui perito auditor da Previdência, cuidávamos das aposentadorias, e imagina se um negócio daquele não tivesse auditagem para fiscalizar, seria um negócio complicado. Eu acho que ela está no caminho certo. Eles estão se aproximando mais e, fico feliz que o Sistema Unimed está saindo na frente nessa aproximação. Todos os eventos eles convidam alguém da Agência. Agora, por exemplo, em Ribeirão, era para estar o Doutor Gilson Caleman, que é o vice-presidente. Ele não pode ir estava em Brasília, mas mandou a Doutora Carla, que o representou muito bem. E recapitulou isso que falei do sistema das cooperativas médicas que têm procurado se adequarem. E dentro dessa parte que a Agência vai exigir da medicina preventiva, será difícil os concorrentes terem isso. Eles não têm muito como fazer igualzinho a Unimed, nós já fazíamos medicina preventiva. É evitar que a pessoa fique doente. É tratar do obeso, é tratar do diabético, é tratar do DPOC [Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica]. Nós fazemos campanha contra o tabagismo, temos um professor de Educação Física que fica lá no CMU [Central Médica Unimed] e às vezes ele atende ao meu sogro, que foi fumante, deficiência respiratória, isso nós já estamos fazendo. Nós já fazíamos, agora vamos procurar fazer melhor porque é a exigência da Agência. E nós temos o espaço, criamos aqui uma coisa que já tem na Federação, chama-se: Núcleo de Atenção à Saúde. Nós vamos colocar, inclusive, no prédio, no terreno que nós compramos para construir o hospital, uma área de mil metros quadrados, vamos usar para os NAS - Núcleos de Atenção à Saúde. Vamos colocar: Medicina Ocupacional, Medicina Preventiva, e vamos colocar a ADS, que é Assistência Domiciliar. E devemos levar também a Fisioterapia para colocar tudo em um único lugar. O Núcleo de Atenção à Saúde, vai focar exatamente a pessoa, Medicina Preventiva, para evitar até tratar, a domiciliar que vai a casa, e tira a pessoa do hospital, que está internada há 30 dias, está longe da família, com dificuldades. E nós estamos fazendo um trabalho para tirar essa pessoa do hospital e levá-la para casa com todas as garantias. Quando não podemos assumir diretamente, nós contratamos. Em Santos tem uma empresa com nível internacional. Inclusive nós temos uma criança, essa criança, tinha quatro meses, e alguém foi dar mamadeira e a criança aspirou e teve uma parada cardíaca. Ela estava no hospital com toda aquela aparelhagem e foi interessante que os próprios pais da criança nos procuraram para colocarmos a criança em atendimento domiciliar. E essa empresa que é idônea, foi fazer uma avaliação e não concordou,não aprovaram o ambiente do apartamento. E não foi. Mas o pai e a mãe queriam tanto ficar, que mudaram de apartamento, chamaram novamente a empresa. A empresa foi lá, deu ok, eles têm que ter segurança. E colocaram os aparelhos, dentro do possível, e essa criança está há seis meses no atendimento domiciliar. A família mesmo cuida. Todo dia, passa o médico, a nossa enfermeira fica certo tempo, e mais o resto do cuidado, isso tem um lado muito humanitário. Você vê, a criança está junto da mãe, nada melhor. No caso, ela é quem cuida do próprio filho. E a ANS vê com bons olhos o atendimento domiciliar, Medicina Preventiva e responsabilidade social. Nós vamos melhorar, nós vamos aumentar nossa participação aqui na cidade na questão da responsabilidade social.