Nestor Biscardi

Presidente da Federação Intrafederativa Sudeste Paulista ¿ 1998-2007


Biografia | Depoimento | Imagens | Vídeos


História de Vida - Nestor Biscardi



P/2 – Na sua opinião, qual a contribuição que a Unimed deu à medicina brasileira como um todo?
 

R – Eu acho o seguinte, a Unimed exerceu muita coisa sobre a medicina brasileira porque a Unimed fez com que pessoas que não tinham condições tivessem um atendimento melhor do que o SUS, do que o INPS e tal, então, desapareceu o atendimento de ambulatório. O indivíduo pagando uma mensalidade tem direito ao consultório do médico, tem direito a se internar no hospital, ele tem direito a escolher um médico que ele bem entende, de maneira que houve uma contribuição grande porque é uma medicina praticamente particular, e é claro que o indivíduo quer o médico X, ele vai ao médico X. Como praticamente todos os médicos de uma determinada região são cooperados, então, existe a possibilidade de consultar qualquer um dos médicos daquela cidade, ou mesmo de fora quando o atendimento é de nível nacional.
 

P/1 - O que o senhor considera que mudou mais na Unimed durante a sua trajetória, que é desde o começo.
 

R – Uma série de coisas. A Unimed se tornou hoje a medicina de maior prestígio, tanto que já ganhou vários Top of Mind aqui em Santos, já ganhamos quatro, os quatro foram criados pelo nosso jornal A Tribuna há quatro anos e durante esses quatro anos a Unimed ganhou o Top of Mind. O crescimento da Unimed foi excelente, melhorou a vida do médico, melhorou a vida do usuário de uma forma geral.
 

P/1 – E o seu relacionamento com os colegas de trabalho? Como é? O senhor quer citar alguém especial das suas relações?
 

R – A melhor possível, temos um excelente relacionamento. Só não fui candidato porque não quis mais, aposentei, sendo solicitado por vários colegas para continuar, mas eu acho que eu cheguei numa idade que mereço um pouquinho de descanso porque isso é muito desgastante. É desgastante com alguns colegas, com o usuário, com empresas porque todo mundo quer, ninguém dá. Todo mundo quer cada vez mais, apesar de muitos colegas acharem que eu devia continuar ou me candidatar, poderia até perder, eu achei que era melhor parar, está na época de parar. Mas me dou bem com todo mundo, não tem problema.
 

P/1 – E a relação da Unimed com os colaboradores, com os funcionários, como é essa relação, na sua opinião?
 

R – Bom, eu vou falar da minha época, não sei agora como está, pode estar melhor, pode estar pior, pode estar igual, não sei. No meu tempo o relacionamento era excelente porque eu sempre procurei dar aos funcionários um tratamento igual, eu sou um indivíduo que procuro chamar a faxineira pelo nome. Todo mundo gosta de ser chamado pelo nome, eu sempre me dei muito bem com os funcionários, sempre procurei fazer o máximo por eles, é claro que existe um limite, passado esse limite temos que tomar providências. Mas de uma forma em geral o relacionamento sempre foi ótimo, não tinha problemas nenhum e acredito que ainda sou querido por eles porque alguns me telefonam.
 

P/1 – O senhor está falando de Santos. E na Intrafederativa também é bom o relacionamento?
 

R – A Intrafederativa também tem um bom relacionamento, mas a Intrafederativa nossa é pequena em relação a Unimed Singular, nós somos só prestadores, nós temos poucos funcionários de maneira que o relacionamento é também bom, mas não é igual ao que nós tínhamos aqui. Nesse último período eu passava o dia inteiro aqui dentro da Unimed, lá em São Paulo eu vou uma vez por semana, de maneira que é um relacionamento um pouquinho diferente, tem menos funcionários.
 

P/1 – Qual o senhor considera a sua principal realização na Unimed como um todo?
 

R – A principal realização da Unimed acho que é a própria Unimed.
 

P/1 –Não, a sua principal realização.
 

R – Eu me sinto muito orgulhoso de ter sido fundador da Unimed junto com o Doutor Castilho. Na realidade, o Doutor Castilho foi o fundador, eu na época era dirigente do Sindicato junto com ele. Então, praticamente nós dois é que montamos, os outros nos ajudaram, mas a idéia partiu de nós, nós montamos a Unimed, nós trabalhamos e eu acho que a maior realização foi a própria Unimed que nós fizemos. Agora, durante o tempo todo é claro que realizamos uma série de coisas, como eu disse: fundamos Unimed, fundamos a Unicred, fundamos uma série de coisas, a fisioterapia, a quimioterapia, uma série de coisas que fizemos durante a nossa gestão.
 

P/1 – E durante esse tempo todo o senhor tem algum caso pitoresco para contar para gente?
 

R – Dentro da Unimed de Santos?
 

R – Outro também era problema de pagamento. Tínhamos aqui um gerente muito bom chamado Paulo Sellera, ele era o gerente-geral da Unimed, mas ele não tinha muito conhecimento médico e sabe que o médico é difícil de lidar, o médico é muito difícil de lidar. E foi exatamente na época que eu vim para superintendência, então eu e ele nos reunimos e nós tínhamos X dinheiro para pagar, mas não dava para pagar todos. O Sellera perguntava: “Esse daqui como é?” “Esse aqui é melhor pagar porque esse reclama”. (RISOS) “Então vamos pagar esse agora, deixa os outros para um pouquinho depois” “Mas esse é genro desse, vai saber que o sogro recebeu e ele não recebeu, então vamos pagar esse também!”. Tinha essas coisas que fazíamos e tal e no início também mandávamos muita circular aos médicos e quem gostava muito de mandar circular era o Castilho. Antes desse Paulo Sellera, houve um outro gerente e naquela época o mimeógrafo era a álcool, não existia computador, não existia nada disso, fazia mimeógrafo a álcool com manivela que o coitado do Holph que chamava – nós tínhamos dois ou três funcionários – ele passava o dia todo virando a manivela para fazer, ele chegava para mim e dizia: “Não agüento mais, já estou com o braço doendo” “Fala para o teu primo aí”, que era o Castilho. Então houve muitas coisas desse tipo.
 

P/2 – Com relação aos planos financeiros, como a Unimed reagiu a esses planos econômicos na década de 80: Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano Collor?
 

R – Até quando veio o Plano Collor, foi confiscado dinheiro que nós tínhamos, agora a Unimed durante o tempo da inflação ganhava muito dinheiro também porque nós recebíamos no dia 5 e pagávamos no dia 30, então, ficava mais ou menos 20 ou 25 dias nós trabalhando com o dinheiro, o que dava muito, dava um bom rendimento e com isso podíamos pagar bem porque pagávamos sempre o mês anterior, mas era o valor do mês anterior com o dinheiro que estava aplicado. Quando acabou a inflação houve um problema porque não tínhamos esse dinheiro, deu trabalho, mas com o tempo conseguimos equilibrar.