João Batista Caetano

Diretor de Integração Cooperativista da Unimed do Brasil ¿ 2001-2009


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História de Vida - João Batista Caetano



P/1 – O cargo que o senhor ocupa na Unimed do Brasil, o senhor pode nos contar o que é?
 

R – Eu sou Diretor de Integração Cooperativista. No meu setor a minha responsabilidade, são duas áreas básicas o intercâmbio e a tecnologia, TI, a tecnologia da informação, a informática. São duas áreas espinhosas, eu considero. Informática é complicada, tudo em informática tem custo e o dirigente não gosta muito da informática, não gosta muito de gastar com computador com software e não tem essa visão ainda. Então, é espinhosa. E a parte de intercâmbio também é complicada, é o relacionamento entre as cooperativas. Nós pegamos ainda aquela época onde o Sistema estava partido Aliança e Unimed do Brasil. Nós tínhamos o manual de intercâmbio da Unimed do Brasil, mas existia o manual de intercâmbio da Aliança, entendeu? E tínhamos que fazer funcionar, normatizar esse setor. Isso basicamente foi a missão.. Mas nós entramos numa área nova, precisávamos ter uma auditoria mais eficiente. E para essa auditoria funcionar com eficiência na singular, ela precisava ser normatizada. E para ser normatizada nós precisávamos de pessoas competentes em auditoria no Brasil inteiro e que viessem para cá. Nós convidamos esse pessoal para vir para cá e criamos uma coisa que chamamos: Colégio Nacional de Auditores Médicos. Esse colégio cumpre uma função importantíssima que é normatizar o serviço de auditoria médica. E junto com eles vieram as Câmaras Técnicas, de Oncologia, e várias outras. E nós entramos depois numa área nova que é a gestão de custos assistenciais. Nós tínhamos que tirar isso do discurso, nós temos que transformar isso numa realidade. E para transformar em realidade, nós debatemos através de um encontro que também iniciamos na nossa gestão que se chama Conai, Comitê Nacional de Integração, vai ter um agora em maio. Temos a convenção que é o nosso evento maior, que é um evento voltado ao mercado. E nós temos esse Conai que é um evento voltado para dentro dos nossos problemas, das nossas demandas, da demanda daquilo que nós precisamos no nosso dia-a-dia. Dali, surgem várias demandas em relação à gestão de custo. E nós criamos um grupo chamado Gema, Grupo de Estudo de um Novo Modelo Assistencial para ser implementado nas singulares, mas que precisariam de ferramenta. Então, unimos: o pessoal de área médica, o pessoal de TI e criamos um modelo que vamos implementar, através do próximo Conai. Vamos implantar, já estamos com algumas Unimeds piloto para fazer a gestão de custo com um novo modelo que envolve a Medicina preventiva, prevenção de saúde, acompanhamento de doentes crônicos. Outro tipo de modelo que algumas Unimeds grandes já praticam e as pequenas às vezes não têm ferramentas, que é o que nós vamos disponibilizar agora para o Sistema inteiro. Esse também foi um grande setor que desenvolveu muito. Assumimos também outras novas responsabilidades que fomos criando como a tabela de Mat/Med – Tabela Materiais e Medicamentos. Como vamos nos comunicar, falar em informática. Informática trabalha com códigos, o computador trabalha com códigos, quando você falar: “Usei no tal, eu fiz um procedimento.” Você transforma isso num código. A Associação Médica Brasileira (AMB), tem uma tabela. Essa tabela diz que apendicite, tem um código para apendicite. Fez um exame tem um código, tal.
 

P/2 – É o CID (Classificação Internacional de Doenças)?
 

R – Não o CID é o da doença. Esse é o do procedimento, são os códigos do procedimento. O CID é uma tabela de doenças. Tudo tem que ter essa tabela que é para você transformar aquilo numa linguagem comum. Quando você usa, por exemplo, uma dipirona. Você não tinha como transformar a dipirona numa linguagem de computador. Pode até dar uma codificação para ele na sua singular, que vai ser diferente da outra, que vai ser diferente da outra. Como temos que nos comunicar no Brasil através dessa integração, nós precisamos ter uma codificação. E veio um grande desafio, que estamos ainda passando por ele. Que será pegar esses 28 mil itens de medicamentos que existem no Brasil e transformar numa tabela codificada, com toda a segurança que merece ter e que precisa ter. Por exemplo, toda medicação para estar na tabela tem que ter a sua “correspondência”, autorização da Anvisa que é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Nós temos que ter uma tabela, que é o que está nos dando muita dor de cabeça, é um trabalho muito braçal. É um desafio que nós estamos agora levando em frente também, certo? E outras coisas que criamos como: compras em conjunto, negociação em conjunto. Por exemplo, nós compramos marca passo, para ser colocado nas pessoas que tem necessidade nos hospitais, outro material ou outro medicamento, que é usado no Brasil inteiro. Cada um comprando individualmente, nós perdemos o nosso potencial em termos de ganho de escala. Nós não temos, ganho de escala. Então passamos a trazer o pessoal para cá, criar um comitê nacional de negociação. Chamamos as empresas que vendem tal produto. Eles colocam quais seriam os produtos prioritários para começar essa negociação. Criamos também comitês regionais para cada estado. E com isso, nós passamos a ter uma negociação que beneficie a compra de medicamento para reduzir o nosso custo médico. Tudo para que o médico possa ter uma remuneração melhor. Então são funções que não existiam na Unimed do Brasil e que nós implementamos, nessa nossa diretoria. Não preciso dizer que a diretoria está precisando se transformar numas três agora. Com essa mudança de estatuto que houve, precisamos dividi-la um pouco, ficou muito grande.
 

P/2 – A parte prática do intercâmbio entre as Unimeds, como funciona?
 

R – Nós temos duas coisas no intercâmbio, uma é você ter a norma para ser cumprida.  O que diz é o seguinte: “Olha, o paciente saiu de um lugar, foi atendido.” “Como é que é cobrado, como que é feito?” Esse relacionamento entre as Unimeds, como uma Unimed se relaciona com outra. Como os clientes podem transitar dentro dessa capilaridade das mais de 370 Unimeds que nós temos no país. São 13 milhões de clientes que não estão fixos, que estão em todas as Unimeds, circulando. Normatizar isso é um desafio, nós temos comitês. Nós temos o Comitê Nacional de Intercâmbio, que se reúne, que vão fazendo. Outro problema são os desentendimentos que existem no cumprimento ao manual. Então uma Unimed cobrou a outra achou que passou o tempo, não sei o quê. Então vem para cá, [para a Unimed do Brasil]: “Elas estão dizendo isso.” “Eu estou dizendo isso, e o que vocês dizem?” Aqui nós convidamos três auditores, geralmente auditores do estado que é variável, pessoas que não estejam envolvidas naquela situação e eles dão os pareceres. E damos um parecer em cima desse parecer final mostrando para ela: “O fulano tem razão, você tem que realmente fazer isso, tem que pagar essa conta, está certo?” Esse é um trabalho diário. E outra coisa na área de TI, que também está com um grande desafio é fazer com que esse intercâmbio seja eletrônico. Hoje a pessoa, sai de uma Unimed A e vai para a Unimed B, na hora que chega à Unimed B ela tem carteirinha da Unimed, as duas têm carteira, tem identificação eletrônica, mas elas não se comunicam. Então é necessário que esse intercâmbio seja eletrônico. Nós temos que acabar com a transação de papel. Dentro da área de TI, da tecnologia da informação um dos grandes desafios do Sistema, é fazer isso tudo funcionar. Há quantos anos você pode ir na Europa, no Japão, pegar o “cartãozinho” seu, passar, vai procurar no banco de dados, sai lá o seu nome, já vai ser lançado na sua conta, cobrar tudo e tal. E nós no Sistema Unimed estamos atrasados em relação a isso. As Unimeds já têm o seu cartão magnético, já funciona. Mas temos que fazer que isso tudo se integre. Para isso também é necessário padrão e algumas ferramentas básicas. Existem vários tipos de sistemas de gestão, cada Unimed usa um modelo de sistema de gestão, de fábrica diferente. Eu sempre comparo: você vai comprar um DVD, você pode comprar um da Gradiente, da Philco, da Phillips, da Sony, você pode escolher, tem 200 marcas que fabricam o aparelho de DVD, mas se você pegar um DVD seu para colocar lá, vai ter que tocar. Por quê? Porque tem a espessura, a velocidade é padronizada, existem vários fabricantes, mas existe uma parte que é padronizada. Isso aqui a espessura é essa, a velocidade tem que ser essa, tem que fazer essa leitura. Então, essa padronização é função nossa e para isso é necessários ter algumas ferramentas. E nós criamos essas ferramentas, temos a padronização e precisamos agora, na etapa que é a que nós estamos iniciando, nesse Conai, implantar, fazer realmente acontecer. Ou seja, a pessoa com a carteirinha da Unimed, em qualquer lugar do Brasil que estiver, está autorizada, não através de ligar, esperar resultado, vai passar a carteirinha e saber se está ou não autorizado aquele procedimento, imediatamente.