João Eduardo Oliveira Irion

Presidente da Unimed Seguros ¿ 1989-2001


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História de Vida - João Eduardo Oliveira Irion



P1 – E o Plano de Extensão Assistencial também foi implantado no Rio Grande do Sul?
 

R – O Plano de Extensão Assistencial foi criado pela Federação do Estado de São Paulo. Também caminha na mesma história. A Federação do Estado de São quando se reuniu, disse: “como nós vamos sustentar a Federação?” Chamou as companhias de seguros e perguntou como podia atender a família dos usuários que morrem. As companhias fizeram uma proposta para a Federação de São Paulo, que pensou: “em vez de estar pagando para fazerem, vamos fazer nós esse negócio. Correr o risco”. E ao invés de contratar um seguro, resolveram fazer um Plano de Extensão Assistencial. E quando se estruturou a Unimed Brasil - porque a Federação de São Paulo a precedeu, obviamente, porque é um dos fundadores da Unimed do Brasil – passaram para a Unimed do Brasil. E esse plano tinha que vender a idéia, tinha que convencer as cooperativas a embutir nos planos de saúde esse custo. Não foi fácil. Nem todas as cooperativas aderiram, no início. Algumas se entusiasmaram, como a cooperativa de Joinvile que botou todos os usuários de uma vez só. Uma coisa que o doutor Ivo Januário, que era o presidente da Unimed de lá, achou importante e fez. De modo que aquilo foi um convencimento gradual. No Rio Grande do Sul, teve muita resistência. Porque a turma dizia que se é um seguro nós não podemos fazer, há resistência... Eu também entendia que era um seguro e achei que tinha que fazer uma reserva técnica disso. Mas não saiu a reserva. Lá pelas tantas, eu acabei colocando para os usuários de Santa Maria. Foi a primeira cooperativa do Rio Grande. Foi uma idéia que teve que ser vendida.
 

P1 – A Confederação cresceu e foram criadas algumas empresas: a Unimed Corretora, a Unimed Seguros. Explica um pouco esse crescimento e sua ida para a Unimed Seguros.
 

R – Bom, a idéia de ter uma corretora de seguros nasceu pelo fato de que quando se tem um seguro coletivo, a empresa que contrata tem um pró-labore para isso, que é a remuneração do estipulante. Teoricamente, a empresa tem uma remuneração para que arrecade o dinheiro desses segurados para repassar para a seguradora. E o seguro é vendido por uma corretora que também tem o seu pró-labore nessa história. A Unimed do Brasil, muitos anos antes, pensou em ter uma companhia de seguros, mas naquela época era impossível. O Sistema não estava estruturado devidamente, não tinha tamanho suficiente e a legislação não permitia montar uma seguradora no Brasil. Você só podia ter uma seguradora se comprasse a carta patente de outra. Era meio fechado o seguro. Como a Unimed do Brasil não podia ter uma seguradora, pensou em ter uma corretora de seguros para ficar com as comissões do corretor. Nesse meio tempo a Unimed do Brasil também quis criar uma holding para ser dona de eventuais empresas e com outros objetivos. Criou um negócio chamado SNU – Sistema Nacional Unimed, que não deu certo. E o Sistema Nacional Unimed era o dono da corretora. No fim do ano de 88, o Castilho quis trazer aqui para a Unimed do Brasil mais dois diretores: um do Norte-Nordeste e outro do Sul. Esse do Sul, fui eu o convidado para vir para cá a minha missão era criar um sistema de previdência para os médicos. Ao mesmo tempo, como não tinha muito que fazer, recebi também a missão de editar a revista Unimed. Eu mandei fazer três exemplares da coleção. Editei essa revista por vários anos e depois passei para o doutor Ronaldo Monteiro que era o diretor de Marketing da Unimed do Brasil. A Revista Unimed é um negócio interessante, nós chegamos a publicar 40 mil exemplares para distribuição gratuita entre os médicos. Espero que tenham guardado a coleção. Depois que saímos daqui, a diretoria seguinte resolveu parar com a revista. Eu lamento muito, aquela revista foi fonte de consulta para aquele meu trabalho também. Mas eu fui editor da revista e nessa questão de previdência, eu chamei uma empresa de consultoria e pedi uns conselhos, não contratei. Chamei para uma conversa para perguntar como se fazia aquilo. Eles me disseram: “olha, tem três caminhos: primeiro é criar um sistema de previdência próprio. Só que a previdência privada no Brasil é um sistema em que os empregados têm vínculos empregatícios com o instituidor, e a Unimed não tem vínculos empregatícios, os médicos não têm. O segundo caminho é contratar um montepio para fazer a previdência dos doutores. O terceiro caminho é criar um sistema de previdência da própria Unimed, partir do zero, criar um sistema de previdência próprio. Nós chegamos a conclusão que o primeiro era impossível, o segundo não era vantajoso, significava entregar cadastros e receitas para terceiros, e o terceiro era o caminho que íamos procurar. Nessa época, muitos montepios no Brasil passavam por dificuldades, não conseguiam dinheiro para atender as exigências da Susep – Superintendência de Seguros Privados - para sobreviver. Um desses montepios era o Montepio Cooperativista do Brasil. Uns diretores desse montepio procuraram o Castilho e disseram para ele, o Doutor Francisco Antonio de Toledo Piza, era o presidente, e um dos seus diretores, chamado Clóvis Pogetti, pessoas com espírito cooperativista importante, o Piza foi líder cooperativista aqui no Estado de São Paulo, disseram para o Castilho: “Nós estamos dirigindo o Montepio Cooperativista do Brasil, que foi criado pelo sistema cooperativo e não tem mais fonte sólida de sobreviver. Nós já oferecemos para a OCB, a Organização das Cooperativas Brasileiras, mas eles não têm condições de assumir. Nós estamos oferecendo para vocês. Nós entregamos sem custo, vocês têm só que assumir o passivo”. Discutimos esse assunto na Unimed do Brasil e chegamos a conclusão que o caminho era esse. Eu fui o encarregado de estudar o passivo do Montepio e monitorá-lo. Fiz com o auxílio da doutora Henriqueta, que me ajudou bastante. Depois de seis meses de acompanhamento, nós chegamos a conclusão que podíamos assumir o Montepio. Começamos a injetar dinheiro no Montepio para pagar funcionários, salários atrasados, pagar tudo que o Montepio devia. Diga-se de passagem, para notar o espírito do doutor Piza, eu recebi a proposta de um outro montepio que chegou e disse: “Nós entregamos o montepio para vocês por 50 mil dólares”. Não eram os donos do montepio, porque não tinha dono, mas queriam uma comissão por fora. O Montepio Cooperativista do Brasil foi transferido sem que seus diretores tivessem qualquer tipo de benefícios. Eles simplesmente se demitiram e elegeram uma diretoria formada por membros da Unimed. Essa diretoria era formada pelo Doutor Plácido Miranda, eleito presidente, por mim, diretor técnico administrativo, e pelo doutor Clóvis Pojetti, que foi o único da antiga diretoria que permaneceu porque precisávamos ter uma ligação com o processo anterior. Nós nos reunimos e mudamos o nome, transformou-se em Unimed Previdência Privada, ainda era sem fins lucrativos. Mas a Susep não admite seguradora sem fins lucrativos. Nós precisaríamos transformar essa previdência privada em sociedade anônima. Todo o dinheiro que nós tínhamos adiantado ao Montepio para pagar seus funcionários entrou como capital para essa empresa. Em algumas Unimeds – eu saí pelo Brasil para vender a idéia – tive uma receptividade boa, em outras quase apanhei, porque estava querendo fazer uma coisa que a turma achava que era loucura, besteira. Algumas Unimeds mais entusiasmadas entraram com dinheiro, colocaram a sua sede no capital. Depois nós vendemos de volta. A Federação de Minas Gerais e a Unimed de Joinville botaram a sede aqui e depois recompraram. Nós fizemos uma assembléia geral para converter aquela sociedade sem fins lucrativos numa sociedade anônima. Mas para isso precisei fazer uma convocação dos antigos participantes do Montepio. Tinha uns 2.000 só. Com a maior parte deles, eu negociei a saída. Porque o Montepio chegou num ponto, em que os direitos que essas pessoas tinham eram tão pequenos, e as mensalidades eram tão pequenas, que não existia expressão monetária para cobrar. Era zero, zero, zero cruzeiros. Eu chamei e negociei a saída da maior parte deles. Dizia: “toma, recebe “X”. Ou você vai ficar com esse plano maluco ou leva a reserva”. A maior parte aceitou levar a reserva. Mas mesmo assim nós fizemos a convocação para essa assembléia dos remanescentes, mas não apareceu ninguém.