Humberto Banal Batista da Silva

Diretor Financeiro da Unicred Petrópolis ¿ 2005-2009


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História de Vida - Humberto Banal Batista da Silva



P/1 – Em sua opinião como a sociedade vê a Unimed?
 

R – A sociedade como um todo, pelo contingente de adesão de usuários, bem favorável. A sociedade ampla, digamos assim, a população gostaria de ter na área pública assistência equivalente a que a Unimed dá. Você poder ir ao consultório e ter o seu médico de escolha. Às vezes nos ambulatórios não dá. Um problema que tem levado alguma coisa na área pública assim, problema de saúde da família. Lá em Petrópolis, por exemplo, os problemas de saúde da família aproximam bem nesse sentido. Mas não dá para considerar como sendo o que a Unimed faz. E a sociedade também em termos empresariais. Citei esse Top of Mind há longos anos. É o reconhecimento que a Unimed é indiscutivelmente um Sistema bem estruturado e que é de escolha das empresas e das pessoas também. Pode depender da condição de mercado, a condição econômica, porque, quando presidi a Unimed Petrópolis, naquela época, às vezes, assim como os usuários reclamavam do custo do remédio, saímos com a idéia da farmácia. Sabendo que eu era presidente, na cidade menor, você acaba em vários lugares se encontrando com pessoas que se identificam com presidente e querem falar com você. E, alguns, falavam assim: “Olha, o que eu tenho no orçamento lá de casa, o que conseguimos guardar ou mantém as crianças no colégio particular ou a família na Unimed.” Às vezes tinham que tirar alguns, deixa pelo menos um na Unimed. Quer dizer, é difícil. Isso acontece no dia-a-dia de hoje. Então, o ideal é que nós tivéssemos um Sistema amplo. Mas, mesmo nos países que vemos a socialização da Medicina têm conflitos, dificuldades, e custos em que muitas vezes a solução não é tão, digamos assim, perfeita. Mas o nosso aqui precisaria melhorar. Mas acho que a Unimed ocupou um espaço e vai se manter por longos anos ainda garantindo uma Medicina suplementar de qualidade.
 

P/1 – Qual o principal diferencial da Unimed em relação aos outros planos de saúde?
 

R – Hoje em dia, com as exigências da Agência Nacional de Saúde, a cooperativa tem que estar se enquadrando em muita coisa que passa a ser quase equivalente. O principal diferencial que eu vejo e que está preservado é o médico. Embora, para mim, ele não tem essa consciência, de se sentir dono da cooperativa, participar dela, ter participação ativa em assembléias, discussões, e ter mais acesso aos seus colegas para discutir seus interesses. E quanto menor a cidade, mais fácil é a participação, mas também gera mais discussão política. Agora, você ainda preserva aquela idéia do que era a campanha antigamente: “Fale com o dono!” “Você está com o dono!” Que é o cooperado, entendeu? De alguma forma isso ainda tem algum grau de apelo. Tem que ser sempre preservado para termos cada vez mais educação cooperativista, o médico considerar que está trabalhando para empresa que é dono. Na maioria, ele sente que é mais um credenciado. É a visão individualista do profissional. A própria formação do médico é levada muito para o individualista. Talvez o meu lado de formação, tenha sido assim um pouco mais para a coletividade, até por essas atividades que eu citei. Mas o médico, em geral, é muito individualista. Mas aqueles que têm a visão do coletivo começam a entender, participar, e conseguem colaborar melhor fazendo com que a assistência ao paciente e até aqueles que ainda têm outros convênios, possam considerar que quando um cliente que pergunte a ele: “Qual plano que eu devo entrar?” Ele recomenda a Unimed. Várias estatísticas mostraram. Ele recomenda a Unimed! Quer dizer, se ele recomenda a Unimed, é que ele tem preferência por ela.
 

P/1 – Qual o fato mais marcante que presenciou ao longo desses anos na Unimed?
 

R – Digamos esse grande desenvolvimento do Sistema. Poderia ter sido um Sistema que não tivesse desenvolvido. A mercê de todas essas conjunturas e dificuldades, ele não deixou de crescer, entendeu? Então, na nossa gestão, se por um lado foi uma gestão que ficou marcada na Unimed Brasil por esse conflito e racha, por outro não impediu o desenvolvimento do todo. Mas a marca é tão forte, o Sistema é tão grande que fez com que o Sistema como um todo não tivesse perdas significativas, havendo até crescimento. Isso também com o trabalho político da gestão da Unimed do Brasil, dos dirigentes de Federações. Eu acho que consolida tudo isso. Não estando aqui e ver a continuidade favorável é muito boa. É um Sistema que cresce. Digamos uma força, uma entropia, assim uma força interna que faz com que o Sistema se desenvolva. Só temos que estar tentando ir organizando para ele poder estar bem estruturado.
 

P/1 – Em sua opinião qual é a importância da Unimed para a história do cooperativismo brasileiro?

R – É fundamental, você vê que no início era difícil para as autoridades entenderem o que os médicos iam fazer. Passado 40 anos ficou muito claro, o que é o cooperativismo de trabalho, que tem vários outros segmentos. Mas, certamente, o cooperativismo de trabalho, o segmento mais desenvolvido e mais estruturado, no meu entender, é o cooperativismo médico. Daí veio o cooperativismo odontológico e outras categorias profissionais. Mas o de trabalho, quer dizer o de serviço, nós estamos muito acostumados ao cooperativismo na área agrícola, agrônoma e, simplesmente, essa era a visão. Cooperativismo de trabalho também trazendo essa experiência na área internacional e de uma forma diferente. Você via o cooperativismo de saúde na Espanha. É estruturado pelos usuários. É como se fossem as Usimeds que tivessem controlando o Sistema. A sociedade cooperativa, a SCIAS [Cooperativa de Consumidores de Servicios de Asistencia Sanitária], em Barcelona tinha dificuldades de espaço, de leitos e a sociedade, tendo à frente o Doutor Josep Espriu - que fizeram depois a Fundação Espriu - os usuários se reuniram numa cooperativa e com alguns pesos de muitos compraram um prédio, que iria ser o Hotel Hilton - que parou a obra -, e transformaram no Hospital de Barcelona. Então, a sociedade é cooperativa de usuários e tem uma cooperativa médica que em co-gestão administra esse hospital. E assim é o Sistema. Também, no Japão tem cooperativismo de usuários. Então, têm várias outras experiências. O Doutor Almir, que é hoje o diretor da área, fica na área internacional; o Rafael foi diretor internacional na minha época, hoje é da Seguradora, tiveram boas experiências nisso, de convivência. O Castilho foi representante também no IHCO [International Health Cooperative Organization]. O cooperativismo como um todo é um espaço de saúde. Dentro do cooperativismo de trabalho é um espaço significativo. No Brasil, o trabalho mais forte é o cooperativismo médico.