Paulo Roberto de Almeida Insfran

Presidente da Confederação Centro-Oeste e Tocantins ¿ 2002-2010


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História de Vida - Paulo Roberto de Almeida Insfran



P/1 – E quais foram os maiores aprendizados de vida que obteve trabalhando na Unimed?

R – Bom, a primeira coisa que eu acho que o Sistema lhe dá é conhecer pessoas. Às vezes o dinheiro não te dá o que você precisa. Mas se você tem um amigo em Manaus, não sei onde e se você precisar de alguma coisa, um filho que está passeando por lá, você tem alguém, algum contato. Você liga, fala fulano, estou com meu filho, e se precisar tem o telefone. Como a gente faz também quando alguém vem para o Mato Grosso do Sul. Esse tipo de relacionamento de conhecimento de pessoas é para mim a melhor coisa que foi feita. Se eu não estivesse no Sistema eu não teria condições de ter conhecido tanta gente e ter conhecido lugares e aprendido muito. O Sistema também nos ensina a aprender. Há uma coisa que às vezes isoladamente não temos que é a tal da tolerância. Então, temos que desenvolver isso para aprender a viver em grupo em sociedade. Embora às vezes, você queira brigar por um ponto de vista, você tem que entender que a maioria é quem vence. E mesmo que decida errado, temos que acatar a decisão da maioria. Isso é um aprendizado.

P/2 – Doutor, qual é o fato mais marcante na sua carreira de médico?

R - De médico? Eu sou obstetra. E para mim o que eu sempre quis é ver uma criança nascer. Então, para um profissional médico na minha área a satisfação é essa. Quando você acompanha uma gestação e quando chega ao fim você vê o produto daquilo que você acompanhou. Quando você faz um parto e sai tudo bem é uma satisfação muito grande. Ou quando você consegue salvar a vida de alguém como já aconteceu numa emergência. É uma satisfação que eu acho que só quem tem a tendência para ser médico é que sabe. Eu acho que é isso.

P/1 – Para o senhor o que é ser Unimed?

R – O que é ser Unimed? Ser Unimed primeiro é você ser participativo. Quando você resolve entrar numa cooperativa tem que pensar na cooperativa como um todo e não entrar na cooperativa só para usufruir. Ser participativo, eu digo, é inclusive entrar na cooperativa às vezes até com a intenção de vir a fazer parte das decisões daquela cooperativa até como dirigente, não só como cooperado. A cooperativa não pode ser mais um plano de saúde que ele atende. O médico tem que ver que ele está num time e que se todo mundo for bem, todos juntos. Mas se cada um puxar para um lado a coisa arrebenta. Acho que o importante é isso. Ter a consciência que você vai entrar em uma atividade em que você tem que ser participativo.

P/1 - O que o senhor acha da Unimed comemorar os seus quarenta anos de vida por meio de um projeto de memória?

R – Eu achei até interessante. Até quando me convidaram para essa entrevista eu não sabia o que era, depois, que eu fiquei sabendo o que era o projeto. Eu acho que é importante vermos o passado para até entender como essas coisas chegaram até aqui. E como é que é essa empresa. E quantas pessoas contribuíram para que isso acontecesse. Quer dizer, não sou nem eu, nem eram essas pessoas que teriam que estar falando aqui. Eu me considero relativamente jovem dentro do Sistema. Quando eu cheguei ao Sistema, o Sistema, já era grande. Essas pessoas que fizeram e trabalharam e que acreditaram num momento em que ninguém acreditava. Eu acho que isso foi fundamental. E é importante que se relembre disso. Hoje em dia você entrar num sistema como a Unimed, como eu disse, eu quero entrar na Unimed, é fácil, primeiro ninguém queria, ninguém acreditava. E a Unimed teve que mostrar com o passar do tempo que ela era uma parceira do médico e não uma concorrente. Até porque antigamente se tinha muito particular e quando a cooperativa chegou, imagino que muita gente não quis entrar porque achavam que iria tirar o particular dele. Entendo que essa briga deve ter sido muito grande. É interessante ouvirmos o depoimento dessas pessoas. Eu pelo menos quero ouvir depois.

P/1 – O senhor tem alguma coisa que o senhor gostaria de falar a mais, que nós não perguntamos que o senhor gostaria de falar sobre a sua trajetória, mais alguma coisa?

R – Eu não tenho, vamos dizer uma trajetória, as coisas acontecem. Tem gente que é determinado. Eu quero chegar eu quero fazer isso. Comigo as coisas foram acontecendo naturalmente. Eu não vim com afã disso, tanto que eu estava saindo da Associação Médica, estava fora do Sistema. Me convidaram e eu aceitei. E fui tomando gosto pela coisa. O importante de quando você está exercendo um cargo é você vestir a camisa. Você tem que se comprometer! A palavra é essa. Tem que ter comprometimento com o que você faz só assim você faz bem. Esse negócio que chamamos de bigode, meia boca, não dá, ou você faz bem feito ou não faz. Ou pelo menos procura fazer bem feito. E tem que se esforçar para fazer bem feito. E isso foi acontecendo e cheguei a ser presidente da Confederação, naturalmente, não esperava. Aconteceu e quando eu vi já estava. E já estou no segundo mandato. Não sei o que vai ser daqui a três anos, se eu continuo no Sistema ou não. Eu acho que não tenho, vamos dizer, uma trajetória assim, no Sistema. Aprendi muito no Sistema. Gosto do que eu faço dentro do Sistema. Embora prejudique um pouco dentro da minha atividade como profissional médico. Mas a vida é assim, não dá para você fazer tudo de uma vez, tem que ser aos poucos. E é como eu disse, eu quero mais ouvir a história do que contar alguma coisa.

P/1 – Então o que o senhor achou de ter participado dessa entrevista?

R – Bom, uma coisa boa. Talvez eu não ache importante essa entrevista agora para mim. Talvez daqui a dez, quinze anos seja alguma coisa também que os outros queiram ouvir, contar o que aconteceu, saber. Eu acho que essa idéia é importante de fazermos não só os quarenta anos. Mas a cada dez anos. E fazer realmente um museu, uma história disso tudo. Se você não conhece o seu passado você não dá valor ao seu futuro.

P/1 – Em nome da Unimed e do Museu da Pessoa agradecemos a sua entrevista.

R – Eu é que agradeço. Muito Obrigada!